Seca severa afetará produção de açúcar do Brasil por anos, diz consultoria

Envelhecimento dos canaviais também deve contribuir para queda da safra no ano que vem (Nelson Almeida/AFP/VEJA)

Envelhecimento dos canaviais também deve contribuir para queda da safra no ano que vem (Nelson Almeida/AFP/VEJA)

Dados da Datagro apontam que safra 2014/2015 deverá cair para 32,8 milhões de toneladas, com previsão de redução nas próximas temporadas.
A produção de açúcar no centro-sul, principal região produtora do Brasil, deverá cair para 32,8 milhões de toneladas na safra 2014/15 ante 34,29 milhões de toneladas na safra anterior, enquanto os volumes nos próximos anos continuarão pressionados pelo efeito da devastadora seca no início do ano. As estimativas foram divulgadas nesta quinta-feira pela consultoria Datagro. Levantamento realizado em agosto apontava para produção de 33,2 milhões de toneladas de açúcar em 2014/2015.

“Essa seca terá impacto não só nos rendimentos e produção de 2015, mas também na colheita de 2016”, disse o presidente da consultoria, Plinio Nastari. Segundo ele, o mercado pode não ter absorvido totalmente o impacto da seca sobre o setor de cana do Brasil, um fenômeno climático tão severo que provavelmente mostrará os efeitos para além da produção de açúcar deste ano. O setor de cana do Brasil sofreu com a seca e outras condições climáticas adversas em 2010, que fizeram com que a indústria levasse três anos para se recuperar.

“Continuamos a ter uma escassez de chuvas em São Paulo e, quando não chove, você não pode plantar cana”, afirmou Nastari, referindo-se à previsão para a safra de cana-de-açúcar no próximo ano, que deve cair pelo envelhecimento dos canaviais. Ele acrescentou que as usinas estão tendo um melhor retorno com a produção de etanol, vendido por 17,3 e 17,6 centavos de dólar por libra-peso sob a forma de matéria-prima VHP. O VHP está cotado atualmente em 15,3 centavos de dólar.

Estoques internacionais – Nastari afirmou que grandes estoques de açúcar, especialmente na Ásia, continuarão a pesar sobre os preços no curto prazo mesmo com a esperada queda na produção da principal região exportadora do adoçante no mundo. A previsão e de que o mercado registre o primeiro déficit em três anos no ano safra internacional do açúcar, que começa em outubro, com a demanda superando a oferta de 2,45 milhões de toneladas.

(Com agência Reuters)

admin