Manchete nos Jornais desta Sexta-feira, 22 de Outubro de 2021

Ruptura do teto de gastos implode equipe de Guedes
Secretários se demitem após abandono de regra fiscal pelo governo
Quatro dos principais secretários da equipe do ministro Paulo Guedes (Economia) deixaram o governo ontem, após a confirmação do fim da regra do teto de gastos, que abrirá uma janela de R$ 83,6 bilhões para despesas extras como Auxílio Brasil, emendas parlamentares e outros programas de interesse de Jair Bolsonaro no ano eleitoral de 2022. O abandono da principal âncora da política fiscal do País foi articulado pelo Centrão com o Palácio do Planalto. Pediram demissão o secretário especial de Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, o secretário do Tesouro, Jefferson Bittencourt, e os secretários adjuntos Gildenora Dantas e Rafael Araújo. A mudança no teto de gastos vai abrir um espaço de R$ 83,6 bilhões para despesas adicionais do governo.. O acordo foi fechado na manhã de ontem, após dias de embates entre as equipes para viabilizar o pagamento de R$ 400 aos beneficiários do Auxílio Brasil. Incorporada ao texto da PEC dos precatórios colocada em discussão na comissão especial na Câmara no mesmo dia, a proposta muda a fórmula do teto, que hoje é corrigido pelo IPCA acumulado em 12 meses até junho do ano anterior ao de sua vigência. A ideia é adotar a correção da inflação de janeiro a dezembro. Só a troca na correção do teto vai gerar uma folga extra de R$ 40 bilhões, pois a mudança será aplicada desde o início da regra. É esse espaço que Bolsonaro terá para acomodar os R$ 51,1 bilhões de gastos adicionais com as mudanças no Auxílio Brasil (reajuste permanente de 20% mais a parcela temporária para chegar aos R$ 400), e também gastos com emendas parlamentares, preciosas para congressistas que também buscarão novo mandato em 2022. (Estado)

Lula e Bolsonaro: tão longe, tão perto
Voluntarismo de Bolsonaro e Guedes – segue-se a lei fiscal só quando interessa – é o mesmo de Lula, Dilma e Mantega. Com essa turma, a crise econômica nunca é acidental.Voluntarismo de Bolsonaro e Guedes é o mesmo de Lula, Dilma e Mantega. Com eles, crise econômica nunca é acidental.os fatos, no entanto, insistem em aproximar o ex-sindicalista do excapitão – os fatos e, deve-se reconhecer, o próprio Lula. Não é apenas o fato de que o exercício da Presidência da República tenha trazido, tanto a Lula como a Bolsonaro, sérias questões penais. Os dois teimam em ser igualmente desleixados no cuidado das contas públicas quando o assunto tem impacto eleitoral. Quando lhes interessa, esquecem-se de que existe legislação protegendo a responsabilidade fiscal e, principalmente, fazem vista grossa para os efeitos perniciosos do desequilíbrio das contas públicas sobre o desenvolvimento social e econômico do País.Um dia depois de o governo federal ter anunciado que o novo Bolsa Família – o Auxílio Brasil – terá um valor médio de R$ 400, sem ter indicado como financiará, dentro das regras fiscais, o aumento, Lula apoiou a tática bolsonarista, sinalizando que faria o mesmo, e até mais. Para Lula, não apenas deve haver aumento, como o auxílio teria de chegar a um valor médio de R$ 600. O ex-presidente petista não explicou como o Estado financiaria esse valor, tampouco se ele está em conformidade com a legislação. (Estado)

Com incerteza fiscal, Bolsa cai e dólar sobe
Bolsa cai 2,75% e dólar sobe 1,92%, enquanto Bolsonaro coloca regra fiscal em segundo plano, em busca da reeleição. Após o ministro da Economia, Paulo Guedes, declarar publicamente que o governo precisava de uma “licença para gastar” acima do teto de gastos, o Ibovespa, principal índice de ações do mercado nacional, despencou 2,75%, aos 107.735,01 pontos – no menor valor desde 20 de novembro. No câmbio, o dólar avançou 1,92%, cotado a R$ 5,6676 – maior valor desde 14 de abril.(Estado)

Bolsonaro anuncia ‘bolsa-caminhoneiro’
Benefício para 750 mil autônomos foi opção escolhida pelo governo para evitar ‘intervenção’ nos preços da Petrobras.O custo estimado pelo governo com o programa é de cerca de R$ 4 bilhões. O valor final ainda vai depender de negociações com o Congresso Nacional e da disponibilidade no Orçamento.A avaliação dentro do governo é de que o “auxílio diesel” é melhor do que uma alteração na política de preços da Petrobras, o que representaria, segundo uma fonte, “intervenção” na estatal. A ajuda não terá relação com o Auxílio Brasil, que também deve pagar R$ 400 até dezembro de 2022. Na área econômica, técnicos foram pegos de surpresa com o anúncio.Desabastecimento. A defesa do auxílio diesel inclui o argumento de que os caminhoneiros são um elo importante da cadeia produtiva, e um peso excessivo dos combustíveis no bolso deles poderia gerar risco de desabastecimento. (Estado)

Brasil defende carne em críticas a texto para a COP26
País negou impacto negativo da política ambiental de Bolsonaro em revisão do documento.o Brasil se opôs a recomendações para reduzir o consumo de carne no mundo, defendeu a produção de biocombustíveis e rebateu críticas à política ambiental do governo Jair Bolsonaro.Nas mensagens ao IPCC, o Brasil se opôs fortemente à conclusão do relatório de que a adoção de uma dieta com menos carnes e mais alimentos feitos de plantas seria necessária para combater a mudança do clima. O argumento foi endossado pela Argentina e, em menor grau, pelo Uruguai —outros dois grandes produtores de carne.Segundo o IPCC, a produção de carne é um dos principais fatores por trás do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Isso porque a vegetação nativa é muitas vezes derrubada para dar lugar a pastagens ou plantações de soja, que alimentam rebanhos.O rascunho do relatório do IPCC diz que “dietas à base de vegetais podem reduzir as emissões em até 50% comparado com a média de emissões da dieta Ocidental.” Folha)

Inflação da cesta básica encosta em 16% em 12 meses
Preços dos alimentos avançam mais do que o IPCA, diz pesquisa; açúcar, óleo de soja e café têm maiores altas.Açúcar e óleo de soja tiveram a maior variação. No mesmo período, o IPCA, índice oficial de preços, subiu 10,25%.A disparada dos preços dos alimentos afeta principalmente o bolso dos mais pobres na pandemia e reflete uma combinação de fatores.Essa receita indigesta vai desde o dólar alto e a valorização das commodities agrícolas no mercado internacional até os efeitos da seca prolongada e das geadas.No acumulado de 12 meses, o açúcar cristal (38,37%), o óleo de soja (32,06%) e o café moído (28,54%) foram os produtos da cesta básica que registraram as maiores altas de preços no país.Em seguida, aparecem o contrafilé (26,88%), a margarina (24,97%), a batata inglesa (24,71%) e o tomate (24,32%). O terceiro fator responsável pela elevação dos alimentos, diz o economista, é o impacto do clima adverso. Ao longo de 2021, a agricultura amargou o efeito da seca prolongada e o registro de geadas. Os extremos abalaram a produção de itens como milho, cana-de-açúcar e café.Na capital paranaense, a alta foi de 19,54% no acumulado de 12 meses até setembro. Ou seja, foi maior do que a média brasileira (15,96%). Com o aumento dos preços de alimentos e as dificuldades no mercado de trabalho, o Brasil passou a registrar mais cenas de pessoas em busca de doações de comida e até de restos de alimentos durante a pandemia.Um dos episódios recentes ocorreu em Fortaleza. Um vídeo compartilhado nas redes sociais mostra pessoas à procura de comida em um caminhão de lixo na capital cearense.Outros casos que ficaram conhecidos foram registrados no Rio de Janeiro, onde um caminhão distribuía restos de carne, e em Cuiabá, que teve filas em busca de doações de ossos de boi.

O Estado de S. Paulo

  • O que dizem os especialistas
  • Inflação eleva chance de alta de juros pelo mundo
  • É possível reforço sem furar teto de gastos?
  • Importação de gasolina pela Petrobras tem alta de 950%
  • Indicador de trabalho muda e afetará cálculo do PIB
  • Bolsa de R$ 400 a caminhoneiros custa R$ 4 bi
  • Mexida no teto afeta mercados e põe política fiscal em xeque
  • Mudança do teto de gastos abre espaço de R$ 83,6 bi no Orçamento
  • Ruptura do teto de gastos implode equipe de Guedes

O Globo

  • Política social fragmentada retrocede a décadas passadas
  • Pacheco defende incluir Petrobras no debate do ICMS
  • Bolsonaro promete ‘ajuda’ de R$ 400 a 750 mil caminhoneiros
  • Alta de juros reduz empregos, diz Luiza Trajano
  • Comissão aprova mudança no teto de gastos
  • Secretários de Guedes se demitem após manobra para elevar teto de gastos
  • ‘Aquela falta de produto já não acontece mais. Os preços subiram’
  • ‘Ano eleitoral é mais importante que questão fiscal’
  • BC já injetou US$ 4 bi para evitar avanço da moeda
  • Risco-país sobe e empresas perdem R$ 284 bi
  • Decisão do STJ pode levar SUS a sobrecarga de tratamentos
  • Falta de coordenação agravou pandemia, diz estudo
  • Incor pede aprovação para testar imunizante em spray
  • ‘É completamente fora de propósito negar a vacina’

Folha de S. Paulo

  • Acordos devem resguardar ambiente, decidem líderes da UE
  • Inflação da cesta básica encosta em 16% em 12 meses
  • Incerteza sobre política econômica e fiscal leva mercado aumentar a fatura nos juros
  • Dólar vai a R$ 5,66 e Bolsa cai após Guedes pedir licença para furar teto
  • Populismo fiscal de Guedes leva a crise e baixas na Economia
  • Famílias vão à Ceagesp buscar doações de alimentos
  • Transportadoras de combustíveis fazem paralisação contra aumento do produto
  • Bolsonaro anuncia auxílio-diesel para caminhoneiros
  • Drible é eleitoreiro e ameaça investimento, diz 0 mercado
  • Manobra para furar teto eleva pressão sobre BC por alta acelerada dos juros
  • Pfizer funciona melhor com um intervalo de 8 semanas
  • Terceira dose tem 95,6% de efetividade, afirma farmacêutica
  • Rio pode desobrigar máscaras em locais fechados a partir do dia 15

Valor Econômico

Análise: Bruno Funchal era o verdadeiro fiador da política fiscal na equipe econômica.
O secretário especial do Tesouro e Orçamento pediu demissão diante da crise do teto de gastos. Também deixaram o governo o secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, e os secretários-adjuntos Rafael Araujo e Gildenora Dantas

Comissão da Câmara aprova PEC dos Precatórios por 23 votos a 11
Nova versão da PEC dos Precatórios altera apuração do teto e abre espaço de R$ 83 bi em 2022.

Pacheco não descarta mudança no teto: ‘Temos a obrigação de dar solução’

Análise: Sem âncora fiscal, mercado exige juro alto

Bolsonaro promete ajuda a 750 mil caminhoneiros para compensar diesel

Inteligência dos EUA prevê cenário de batalha com mudanças climáticas

Chanceler chinês promete saída rápida para embargo à carne

Marisa Pereira