Destaques nas principais Revistas desta Semana, Sábado, 08/11/2014

ISTO É: Pela primeira vez desde o regime militar, um governo terá a oportunidade de escolher dez dos onze ministros do STF. Como pensam os atuais magistrados, quais os riscos para a democracia, e o que se espera do Senado nesse processo

VEJA: A solidão da vitória. Sem saber o que fazer na economia, pressionada pelo PT e esnobada pelos aliados, a presidente se isola no palácio.

ÉPOCA: Vírus chikungunya, um risco maior que o ebola

revista istoéRevista ISTOÉ:

O poder de decidir quem fica no lugar deles

Pela primeira vez desde o regime militar, um governo terá a oportunidade de escolher dez dos onze ministros do STF. Como pensam os atuais magistrados, quais os riscos para a democracia, e o que se espera do Senado nesse processo.

O sistema democrático brasileiro está ancorado na separação dos poderes, que permite decisões independentes, e no equilíbrio de forças entre as instituições. É justamente por isso que, desde a reeleição de Dilma Rousseff, o futuro do Supremo Tribunal Federal (STF) se tornou tema obrigatório no mundo político.

O poder de decidir quem fica no lugar deles Pela primeira vez desde o regime militar, um governo terá a oportunidade de escolher dez dos onze ministros do STF. Como pensam os atuais magistrados, quais os riscos para a democracia, e o que se espera do Senado nesse processo.
Dilma sob pressão Compelida a mudar os rumos do governo pelo PT, pelos partidos aliados, por Lula e pela própria realidade pós-eleitoral, a presidente vacila. Não consegue encontrar as respostas para resolver a situação da economia e é obrigada a desmentir o que disse na .

Os limites da democracia Radicalismos pós-eleitorais dão fôlego a propostas antidemocráticas que deveriam ser rechaçadas por toda a sociedade. O problema é que setores do PT insistem em estimulá-las.

PT mantém guerrilha nas redes Militantes virtuais que atuaram na campanha de Dilma continuarão sendo pagos para defender as ações do governo, neutralizar críticas e atacar adversários .

O mau exemplo dos vizinhos Como modelo para o PT, o bolivarianismo de países latino-americanos não passa de delírio. Como espantalho usado pela Oposição, vira proselitismo .

A nova fórmula da oposição Aécio Neves volta ao Congresso, aglutina os oposicionistas, articula a formação de um grupo de notáveis para fiscalizar o governo e já prepara uma agenda para correr os rincões do Norte e do Nordeste do País .

O homem da mala no Congresso Sigilos bancários obtidos por ISTOÉ mostram que o empresário Adir Assad, operador flagrado no escândalo da Delta, recebeu dinheiro do esquema Petrobras, através do doleiro Alberto Youssef, para repassar a políticos.

COMPORTAMENTO

A miséria aumenta Dados escondidos pelo governo durante a campanha eleitoral mostram que depois de dez anos a pobreza extrema volta a crescer no país.

Por que a lei da guarda compartilhada não avança?

Senado adia mais uma vez a aprovação da lei que permite aos filhos de pais separados serem criados pelos dois. Assim, prejudica milhões de crianças .

O rei da carteira da A agente de trânsito condenada a pagar R$ 5 mil ao juiz João Carlos Correa não é a única vítima da soberba dele, que tem o hábito de se valer do cargo para obter vantagem e é investigado pela Corregedoria Nacional de Justiça.

Armas da lei roubadas para o crime Os roubos de armamentos da polícia de São Paulo mostram como agentes do estado podem estar atuando em parceria com o crime organizado.

Arquitetura da discórdia Projeto milionário assinado pelo polêmico arquiteto Frank Gehry, que abriga a Fundação Louis Vuitton, é inaugurado em Paris sob críticas de moradores e especialistas.

Reportagem da revista IstoÉ deste fim de semana informa que um empresário libanês pode ser o operador financeiro responsável por depósitos, transferências e saques de bilhões de reais que abasteciam o esquema de corrupção instalado na Petrobras. Segundo a matéria, milhares de transações nos últimos oito anos – dinheiro foi repassado para senadores, deputados, governadores e ministros – foram feitas por Adir Assad, apontado como intermediário de propinas em outro escândalo, em que fraudes foram descobertas em contratos do Departamento

Nacional de Infra-estrutura de Transportes (DNIT) com a empreiteira Delta.

A IstoÉ relata que o envolvimento de Assad com o esquema na Petrobras está demonstrado em um arquivo digital em poder da Polícia Federal. O material contém a quebra do sigilo bancário das empresas do doleiro Alberto Youssef, um dos artífices da corrupção na estatal, e do ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, e faz um cronograma da movimentação financeira de contratos de fornecedores da empresa.

Nos sigilos bancários do esquema operado por Youssef, continua a reportagem, a PF descobriu pelo menos cinco das 19 empresas de fachada de Assad – Soterra Terraplenagem, Legend Engenheiros Associados, JSM Engenharia, Rock Star Marketing e SM Terraplanagem. Foram mais de R$ 65 milhões em verbas contratuais desviadas em nome dessas empresas, entre 2009 e 2011, por meio de contratos da Petrobras com a empreiteira Toyo-Setal. O dinheiro foi canalizado por meio da Tipuana Participações LTDA., empresa registrada no nome de Augusto Ribeiro de Mendonça. Executivo do grupo Toyo, Mendonça firmou com o Ministério Público Federal um acordo de delação premiada, para tentar reduzir eventual condenação pela Justiça.

A revista lembra ainda que, em 2012, o dono da Delta, Fernando Cavendish, delatou as ações de Assad nos contratos do DNIT durante a CPI que investigou as relações do bicheiro goiano Carlinhos Cachoeiras com autoridades. Na ocasião, Cavendish citou o nome de 19 empresas fantasmas que teriam sido usadas pelo empresário libanês para receber os recursos desviados do órgão de transporte. Assad foi à CPI protegido por habeas corpus, nada falou e, por ação da base governista no colegiado, teve o sigilo de suas empresas preservado.

“A força-tarefa da Operação Lava Jato […] quer saber agora quem foram os destinatários finais do dinheiro recebido por Assad. Chama a atenção dos procuradores, por exemplo, três depósitos idênticos de R$ 783.546,93 feitos simultaneamente, no dia 18 de dezembro de 2009, nas contas das empresas Rigidez, Legend e DFS Participações. Ocorre que o dia 18 de dezembro marcou o encerramento da CPI que investigou a Petrobras em 2009. A investigação sobre a estatal terminou como tantas outras, sem qualquer punição.

A PF suspeita que o dinheiro repassado pela Tipuana serviu para selar o acordo para pôr um fim na CPI. Nas semanas que antecederam essa operação, a Legend, de Assad, recebeu outros R$ 12 milhões. A PF já sabe que a empreiteira Rigidez, que recebeu no total R$ 62 milhões da Tipuana, pertence ao doleiro Alberto Youssef. Já a DFS está registrada em nome do próprio Augusto de Mendonça”, diz trecho da reportagem.

A revista lembra ainda que na última semana o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), pediu a quebra de sigilo de uma das empresas de Assad. “Com as novas evidências, Bueno vai ampliar seu pedido para todo rol de empresas ligadas a Assad. Para a Polícia Federal, é necessário quebrar também o sigilo bancário de todas as empresas ligadas a Augusto de Mendonça”, diz a IstoÉ.

veja capaRevista Veja:

A solidão da vitória. Sem saber o que fazer na economia, pressionada pelo PT e esnobada pelos aliados, a presidente se isola no palácio.

Dilma e seu labirinto

Só na pressão

Até agora, o segundo mandato de Dilma Rousseff parece que terá todos os vícios do primeiro e nenhuma das virtudes que se espera da vencedora de uma eleição conquistada com uma estreita margem de votos. Reportagem de VEJA mostra as pressões que ela enfrenta do PT e PMDB, principais partidos da base de apoio, as opções que tem pela frente para repor a economia nos trilhos do crescimento e o risco de ignorar a necessidade de ajustes e continuar fazendo ‘mais do mesmo’.

O espaço de manobra da presidente reeleita é restrito. Para que seu novo mandato tenha sucesso, ela precisa, paradoxalmente, esquecer os dogmas de seu partido e suas próprias convicções econômicas e executar o projeto do adversário que derrotou nas urnas
Marcelo Sakate

PALÁCIO DA ALVORADA –

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28 de outubro, dois dias depois de reeleita (Ueslei Marcelino/Reuters)

Mateus, o evangelista, registrou em um tom que soa mais como ameaça do que mesmo conforto: “Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra”.

Dilma pediu votos e os recebeu e, agora de volta a sua sala no Palácio do Planalto, guardada por três imagens de Nossa Senhora Aparecida, encontrou o que buscou com tanta volúpia na campanha eleitoral: o segundo mandato. Antes mesmo que ele comece, porém, a presidente está sentindo os primeiros efeitos de pedir mal, como alertou outro apóstolo, Paulo. Dilma viu Aécio Neves, o candidato que ela derrotou, ser recebido em triunfo em Brasília, aclamado como líder, enquanto ela se isolou no Palácio, com a melancolia de quem não tem o que comemorar verdadeiramente por, talvez, não ter perguntado a si mesma antes, não “como” ganhar as eleições, mas “por quê” e “para quê”.

Reeleita, ela ainda não tem as respostas, e, por isso, depois de abertas as urnas, a presidente parece fechada em um labirinto.

Seu espaço de manobra é restrito. De um lado, a economia colhe resultados ruins que, em grande parte, ela mesma plantou. De outro, os problemas políticos são maiores, com desconfianças insufladas em seu próprio partido, o PT, e ambições magnificadas entre os aliados. Para retomar o comando político, Dilma terá de ceder na economia, liberando as energias do mercado, cortando gastos, aliviando o peso do Estado sobre os ombros dos brasileiros.

No fundo, ela tem de esquecer os dogmas de seu partido e suas próprias convicções econômicas e executar o projeto que ela derrotou nas urnas — o do seu adversário Aécio Neves. Na semana passada, a presidente, em entrevista aos principais jornais do país, acenou com a promessa de ajustes: “Vamos fazer o dever de casa.

Vamos apertar o controle da inflação.” O Banco Central, logo depois da eleição, elevou a taxa básica de juros, a Selic, para 11,25% ao ano, justificando a decisão com a ameaça de que a alta nos preços superasse os limites da meta oficial. Até outro dia, a então candidata afirmava que eram os tucanos que “plantavam inflação para colher juros”.

Na sexta-feira, a Petrobras reajustou o preço da gasolina e do óleo diesel, em outra medida impopular que, apesar de urgente, foi jogada convenientemente para depois das eleições.

Esses ajustes, que poderiam ser classificados de “estelionato eleitoral”, apesar de a presidente rejeitar tal classificação, eventualmente podem sinalizar um mea-culpa, o reconhecimento de que o quadro econômico não é na realidade tão favorável quanto aquele apresentado anteriormente. Dado o volume de desequilíbrios acumulados, entretanto, esses ajustes são ainda tímidos e insignificantes para restabelecer a confiança dos empresários e dos investidores, e sem essa confiança negócios deixam de ser feitos, projetos não saem do papel e a economia não cresce de maneira saudável e sustentável.

Brasil

As medidas impopulares da presidente Dilma logo depois da reeleição

Conjuntura

Agora, Dilma Rousseff quer ajustar os desequilíbrios na economia.

Política:

A rebelião dos aliados do governo

Congresso:

Aécio Neves promete oposição “incansável”

Eleições:

O mito do país dividido entre norte e sul

Internacional

Misteriosas conexões entre o governo venezuelano e o MST

Saúde

O que os brasileiros sabem sobre a AIDS e como se comportam

epocaRevista Época:

Vírus chikungunya, um risco maior que o ebola

Ele causa dores terríveis, é transmitido pelo mosquito da dengue – e já ameaça o Brasil

Por: CRISTIANE SEGATTO

No domingo, a família se diverte reunida. Na segunda-feira e nos dias seguintes, o ânimo desaparece pouco a pouco. A casa toda adoece. Crianças, jovens, adultos, idosos – um após o outro. Alguns se queixam de febre acima de 39 graus, outros de dores de cabeça e manchas vermelhas na pele. Todos padecem de terríveis dores nas articulações dos dedos, tornozelos e pulsos. Elas inflamam e incham. Abrir as mãos para alcançar um copo ou vestir a roupa se torna tão difícil e dolorido quanto vencer uma corrida de longa distância. Os que conseguem dar alguns passos, curtos e lentos, se apoiam em cadeiras, cabos de vassoura, muletas emprestadas pelos vizinhos. Tentam buscar socorro para arrastar até o hospital aqueles que mal conseguem se levantar. Ao chegar lá, descobrem que não são os únicos afetados pelos estranhos sintomas.

Centenas de pessoas caíram de cama e disputam os mesmos cuidados.

Essa é a experiência compartilhada nas últimas semanas pelos moradores de Feira de Santana, na Bahia, a cerca de 100 quilômetros de Salvador. Mais de 400 pessoas (409, segundo o último boletim oficial) foram diagnosticadas com uma doença nova no Brasil – a febre chikungunya, causada pelo vírus de mesmo nome.

Outros 689 casos suspeitos estão em investigação por lá. A origem da palavra é africana. Na língua maconde, da Tanzânia, onde o vírus foi identificado pela primeira vez, nos anos 1950, chikungunya significa “aqueles que se dobram”. É uma referência à postura curvada dos doentes. De uma hora para outra, até os rapazes mais atléticos podem sentir na pele o que é ter 80 anos e sofrer de artrite crônica. Dói bem mais que dengue durante vários dias ou semanas. Em alguns casos, meses.

O vírus consegue infectar muita gente em pouco tempo porque é transmitido por um mosquito bem conhecido dos brasileiros: o Aedes aegypti, o mesmo da dengue. Ao prever um verão com epidemias simultâneas de dengue e de febre chikungunya, o Ministério da Saúde lançou na semana passada mais uma campanha de combate aos focos do mosquito. Desta vez, com um claro alerta: “O perigo aumentou. E a responsabilidade de todos também”.

O vírus avança rapidamente pelo Brasil – e pode chegar a todas as regiões nos próximos meses. Em junho, cinco militares que retornaram de uma missão no Haiti receberam o diagnóstico da doença em São Paulo. No bimestre seguinte, surgiram no Brasil 37 notificações de infecção importada. Na maioria dos casos, a doença foi contraída no Caribe. Com a circulação desses viajantes, não demorou muito para que o vírus fosse introduzido definitivamente por aqui. Em setembro, surgiram no município de Oiapoque, no Amapá, as duas primeiras notificações de transmissão em território brasileiro.

Cristiane Segatto:

O chikungunya, primo da dengue, deveria assustar mais que o ebola

O Brasil está preparado para o ebola?

Crônicas americanas

O primeiro passo dos republicanos para voltar à Casa Branca em 2016

Caso extraordinário

A guerrilha que aterroriza o Paraguai e mantém brasileiros reféns

 

 

Edição: Equipe Fenatracoop

 

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