A barbárie nossa de cada dia: reflexão sobre do que somos capazes por amor e por ódio

Participando de um debate sobre A pena de morte, um dos usuários exaltados escreveu:

É estrupador (sic)? Pode me chamar que eu me prontifico a papa-los sem nenhuma pena o que não pode é soltá-los. (sic)

Hannah Arendt escreveu certa feita que “quando o mal se banaliza, perdemos a nossa capacidade de indignação”.

Devemos esmiuçar esta frase da Arendt. Pois então, o que entendemos por indignação? A indignação causa mudança no mundo e mudança em nós próprios. Principalmente em nós próprios, pois se a mudança não começa em nós, jamais será posta diante do mundo.

A indignação é irmã gêmea da Esperança. A esperança em nós primeiro, pra depois a esperança num mundo melhor. A indignação que de que tudo está errado, a começar por nós.

Aonde eu quero chegar é simples: quem somos nós e do que somos capazes? Somos menos cruéis do que aqueles que achamos cruéis? É complicado entender este discurso de morte, pois se o estuprador não pode estar solto, eu entendo que quem quer violentar o estuprador…, também não.

Somos capazes de tudo. Sério, de tudo. Eu, que sou uma pessoa extremamente calma, mataria pra defender a minha noiva. Mas eu nem pensaria duas vezes. Assim como você que está me lendo mataria pra defender os seus. E você e eu roubaríamos pra alimentar nossos filhos se estivessem passando fome. Ou não? Eu sim! Eu roubaria qualquer supermercado pra dar alimento a meus filhos.

A gente tem que aprender a imaginar estar no lugar do outro. Basta só imaginar…

Enfim: se estuprar é errado, por que estuprar o estuprador é certo? Quando o mal se banaliza, perdemos a capacidade de reconhecer nossos próprios discursos.

Wagner Francesco

Wagner Francesco

teólogo e acadêmico de Direito.

Nascido no interior da Bahia, Conceição do Coité, formado em teologia e estudante de Direito. Pesquiso nas áreas da Teologia da Libertação e as obras do Karl Marx e Jacques Lacan aplicadas ao Direito.

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